segunda-feira, 28 de novembro de 2011

Presunção de inocência ou crimes impunes?

O mais novo escândalo em andamento na praça é a acusação levantada pelo Ministério Público do Rio Grande do Norte contra o procurador municipal da prefeitura de São José do Rio Preto, o senhor Luis Tavolaro (que já renunciou ao cargo). Ao mesmo tempo os vereadores, sem que ainda que se saiba quais, estão sendo acusados pelos vereadores Marco Rillo e Márcio Sansão por integrarem um esquema para incorporação de áreas rurais ao perímetro urbano que interessaria a incorporadoras e empresários da área de construção, loteadores e outros. A acusação é: empresários pagam pela aprovação de projetos e os vereadores aprovam.

Antes que alguém diga, digo eu, são todos inocentes até que se prove que são culpados. Os casos de corrupção em todos os níveis de poder são tantos e tantos e diversos são os casos que talvez fosse interessante perguntar se não são todos culpados a menos que provem que são inocentes. O Conselho Nacional de Justiça investiga juízes envolvidos com grilagem de terras no Nordeste e no Mato Grosso, Bahia e Goiás. Como esperar que a justiça investigue e puna se também ela faz parte dos esquemas de corrupção. O problema é mais fundo.

Por que trabalhar se podemos roubar, por que poupar se podemos corromper, por que ser honesto se honestidade não compra carro do ano, por que não fazer se todos fazem quando podem? Por que um pouco se posso ter tudo, por que não corromper se corrompendo enriqueço, ganho respeito e poder. Quando nos anos 1970 Adhemar de Barros inspirou a frase pela qual ficou conhecido “rouba, mas faz” sem saber inaugurava um tipo de política que passou a ter no obrismo (obra para tudo e qualquer coisa) a nervura da corrupção com dinheiro público. Quanto mais obras maiores as possibilidades de corrupção.

Rouba, mas faz e fazendo pode roubar mais. Não dá para imaginar que cada rua, cada casa, cada obra feita na cidade e no país não esteja eivada da podre corrupção. Belo Monte, a usina que se quer construir no norte do país tem mais que um problema ambiental, pode ser o maior caso de corrupção com dinheiro público nas últimas décadas. Aliás, segundo engenheiros ambientais, a obra foi ventilada para poder gerar, não energia, mas corrupção.

O problema é ético. A sociedade está corroída pela corrupção dos valores e a cada dia que passa consideramos mais oportuno viver com os ganhos da corrupção. De repente o ex-procurador do município de Rio Preto é acusado de estar envolvido com um esquema de corrupção no Rio Grande do Norte. Inclusive o prefeito de São Paulo teve os bens bloqueados e pode ser afastado da prefeitura de São Paulo por corrupção. Ou seja, a corrupção não é exceção nem algo ligeiro que acontece vez ou outra. Trata-se de uma sociedade toda em que todos corrompem a medida de suas possibilidades.

E quem na possibilidade de corromper e não corrompe, acredite existe estes casos, e por que não corrompe não ostenta os ganhos provenientes do assalto, logo é visto como incompetente. Ora, ninguém em cargos eletivos ganha mais de 20 mil reais, embora um valor alto não é alto ao ponto de produzir o tipo de vida nababesco em que grande parte da classe política vive. Entretanto, políticos que não roubam não ostentam e esse é o problema. Como saber se é um grande político se não posso vê-lo? Numa sociedade de reconhecimento material só podemos reconhecer o honesto pela riqueza que ostente, e se é rico provavelmente não é honesto. Como disse certa vez Renato Russo, roqueiro conservador nas palavras do historiador Lelé Arantes, “no Brasil não é possível ficar rico sem roubar”.

Para ir preso só se tiver fotografia e filmagem, é o caso do ex governador do distrito federal José Roberto Arruda. Caso contrário, são todos inocentes até que se provem serem culpados, mas quem provará se juízes cada vez mais estão até o pescoço metido em corrupção, venda de sentenças e outras tantas coisas tristes?

O caso de Rio Preto é assustador. Primeiro por que não passa mês sem que novos casos surjam. Agora o homem forte do prefeito Valdomiro Lopes emerge de um esquema que envolve políticos e empresários. Estou certo de que a corrupção é o fruto podre da árvore da felicidade material. Uma sociedade que cultiva ter mais do que ser, e embora tal afirmação seja quase ridícula num mundo corrompido pela imagem das coisas, o fato é este mesmo.

Tenha, não seja. Corrompa, não trabalhe. Pareça, não faça. Finja, não acredite. Minta, não realize. Entorpeça, não seja são. É tudo imagem. Faça o que eu digo, não faça o que eu faço.

Por Luciano Alvarenga

Um comentário:

Luciano Alvarenga disse...

Obrigado por postar meus textos. Luciano