terça-feira, 18 de dezembro de 2012
Pense Comigo - Palocci e Mensalão
Quero inaugurar hoje, uma nova coluna no meu blog, ou melhor, um Podcast com o título: "Pense Comigo, com Franklin Catan". De uma forma divertida comentarei alguns assuntos da semana.
Por favor, não reparem nos defeitos e entonações nesse primeiro. Fico aguardando o respaldo para saber se vocês gostaram.
segunda-feira, 17 de dezembro de 2012
O dia de um corintiano apaixonado
Com muito sono, mas
muito sono consegui assistir o jogo do Corinthians ontem, contra o
Chelsea. Varei a noite por conta do CarnaPeão, que aconteceu em Rio
Preto. E, em uma partida duríssima, o Corinthians, guerreiro de
Guerrero, venceu a equipe inglesa, por um a zero, e conquistou o
segundo título mundial de sua história. “Para nossaaaaa alegriaaaaaaaaaaaaaaaaa”.
Que jeito que você
consegue dormir com as belíssimas defesas de Cássio, o rei da
grande área. Jogando com a alma e o coração de seus jogadores,
empurrados pela alucinada Fiel Torcida, que apresentou ao mundo o
amor incondicional por um clube de futebol. Tanto é que, no final da
partira os jogadores do Chelsea se renderam aos gritos dos
corintianos.
Emocionante!
Arrepiante! Inesquecível são as palavras que define essa conquista.
É emocionante ver o amor da torcida. Fiquei sabendo que algumas
pessoa venderam carros ou fizeram de tudo para ir ao Japão
acompanhar o Timão. Não é incrível?
Tivemos uma primeira
etapa absolutamente equilibrada, digna de uma final de mundial, com
destaque para goleiro Cassio que, com grandes defesas, conseguiu
parar o ataque do Chelsea.
A primeira aconteceu
aos 10 minutos, em batida de Cahill, na pequena área, após falha da
defesa alvinegra. E confesso, gritei alto quando ele fez a defesa.
O Corinthians, desde o
início, buscava equilibrar as ações dentro de campo. Os jogadores
corriam mais do que conseguiam. Podia ser visto em Guerreira, que
estava com infiltrações no joelho, devido à uma lesão, mesmo
assim lutava para fazer jus ao nome. Tanto é que fez o gol.
Sheik foi fominha aos
17 minutos, e não passou a bola para Guerreira, que estava sozinho
na área, perdendo a chance de abrir o marcador. Confesso que nessa
hora eu xinguei muito o Emerson, que também é outro guerreiro
dentro de campo.
O momento era bom para
o Timão. Aos 28 anos minutos, Guerreiro deixou Sheik na cara do gol,
mas ele, de primeira, bateu muito alto. (Pulei do sofá)...
E a zaga? O Paulo André
mostrou mais uma vez que é o zagueiro inteligente. Quando não saia
com maestria com a bola, o 'chutão comia solto'. Chicão também,
era um pequeno gigante zagueiro perto dos atacantes altos do time
inglês.
O goleiro Cássio,
inspirado, fez uma defesa espetacular, de mão trocada, aos 39
minutos, em um chute do nigeriano Moses. Que defesa... “Vibreiiiiiii
Cássioooooooo”.
Logo em poucos minutos,
o nosso salvador Cássio, defendeu mais um chute difícil de Mata.
O equilíbrio
permaneceu na segunda etapa, em que as equipes lutavam muito por cada
palmo existente no gramado.
Aos 8 minutos, a
primeira oportunidade veio com os ingleses, mas Cássio, impediu a
batida de Hazard, que ficou um pouco apagado no jogo – não sei o
que houve, mas não era o jogador que estou acostumado a assistir.
A na hora do gol.
Paulinho fez grande jogada, fintou dois jogadores. Nesse momento, eu
gritava “chuta, chuta, chutaaaaaaaaa caralh%$##....” ...e na entrada
da área, deixou para Danilo, o nosso ZiDanilo que bateu, a bola
prensou na defesa e sobrou para ele, o Guerreiro, de cabeça, levar a
Fiel à loucura e fazer com que eu acordasse a minha mãe.
“Gooooooooooollllllllllllll”....
Depois do gol, o
Corinthians passou a se desdobrar ainda mais no gramado – como se
possível – e a equipe inglesa não acreditava no que via. Era
chutão e mais chutões, nada passava pela zaga corintiana.
Agora, o Corinthians é
sofrido, não posso deixar de esquecer o chute a queima roupa de
Fernande Torres, que Cássio, espetáculo, no desespero acabou
defendendo. E, quando aos 46 minutos, na única falha do goleiro
corintiano, o espanhol completou para as redes, de cabeça, mas
estava impedido. Nossa, como eu gritava!!!!
Emocionante, vibrante,
os guerreiros de Tite, emocionaram o Japão e o Mundo.
O que me
restou? Foi comemorar e, depois, dormir na prova da
segunda-fase da Unesp. Tudo bem, não importa, aqui é 'Curinthians'
e somos Campeões Mundial.
domingo, 9 de dezembro de 2012
Documentário "Guerra contra a Democracia" - (War on Democracy-2007)
Um belo documentário sobre a Democracia. Uma verdadeira aula de jornalismo.
Jornalista não é trabalhador. Ou pensa que não é
De tempos em tempos, nós – jornalistas – somos surpreendidos com notícias de demissões coletivas em veículos de comunicação. Atos que foram batizados carinhosamente de “passaralhos” (imaginem o porquê). Não vou discutir as razões que levam à dispensa de colegas de profissão – os motivos dos “ajustes” vão desde a justa necessidade de sobrevivência do próprio veículo (fazer bom jornalismo pode ser caro) à maximização de lucros da empresa. Então, para não ser leviano, precisam ser analisadas caso a caso. Vou me ater ao outro lado do balcão, ou seja, como reagimos a isso. Até porque, após a atual leva de demissões, não fiquei sabendo de nenhum ato de solidariedade aos demitidos. Talvez pelo medo de também perder o emprego, talvez pela sensação de impotência que resulta da lenta e contínua acomodação, talvez por algo maior que isso.
Trago aqui uma discussão já travada com os leitores. Nós, jornalistas, muitas vezes não nos reconhecemos como classe trabalhadora. Devido às peculiaridades da profissão, desenvolvemos laços com o poder e convivemos em seus espaços sociais e culturais, seduzidos por ele ou enganados por nós mesmos. Só percebemos que essa situação não é real e que também somos operários, transformando fato em notícia, quando nossos serviços não são mais necessários em determinado lugar.
Ou, às vezes, nem isso. Já vi colegas se culparem por terem sido demitidos sem justa causa no melhor estilo “perdoa-me por me traíres” de Nelson Rodrigues. “Deveria ter virado mais madrugadas na redação”, “deveria ter me oferecido para trabalhar em todos os finais de semana”, “não deveria ter corrigido o português ruim do meu chefe”…
Fazer protestos por melhores condições, que incluem uma certa estabilidade para reportar sem temer o que se escreve? Imagina! É coisa de caixa de banco, de operário sujo de graxa ou de condutor de trem que atrasam nossa vida e geram congestionamentos na cidade. Ou de inglês, francês e italiano que têm a vida ganha e mamam no Estado. Enquanto isso, quem tem consciência de que é um trabalhador e reivindica coletivamente, como muitos bancários, metalúrgicos e metroviários, tem mais chances de obter o que acha justo.
Quando vejo algumas coberturas jornalísticas mal feitas de protestos e greves fico pensando como pessoas que não conseguem se reconhecer como classe trabalhadora podem entender as reivindicações de trabalhadores. O fato é que não somos observadores externos e nem podemos ser. Somos parte desse tecido social, desempenhamos uma função, somos parte da engrenagem, gostemos ou não.
Muitos não se perguntam de onde vem o dissídio. Como uma criança que acha que o leite vem do mercado, pensamos que o reajuste vem do nada, sem ter sido fruto de muito diálogo entre capital e trabalho. Não é irônico que os profissionais que informam sobre e analisam a democracia diariamente não exerçam sua “cidadania profissional”?
A vida de jornalista, deixando de lado o falso glamour, não é fácil. Ainda mais para aqueles que são patrões de si mesmo, não por decisão própria (para empreender algo, por exemplo), mas porque foram empurrados para isso.
Sempre gostei do poema do dramaturgo alemão Bertolt Brecht que tratava da indiferença:
“Primeiro levaram os comunistas,/Mas eu não me importei/Porque não era nada comigo./Em seguida levaram alguns operários,/Mas a mim não me afetou/Porque eu não sou operário./Depois prenderam os sindicalistas,/Mas eu não me incomodei/Porque nunca fui sindicalista./Logo a seguir chegou a vez/De alguns padres,/ Mas como nunca fui religioso,/também não liguei./Agora levaram a mim/E quando percebi,/Já era tarde.”
Andaram pela mesma linha Maiakovski e Niemöller, escrevendo sobre o não fazer nada diante da injustiça para com o outro, até que, enfim, o observador passivo se torna a vítima. Hoje, não é comigo, então que se danem os outros. E quando chegar o amanhã e vierem bater à sua porta?
Ou, lembrando John Donne, poeta inglês, citado em “Por Quem os Sinos Dobram”, de Ernest Hemingway, ao defender que a morte de qualquer homem me diminui, pois sou parte da humanidade: nunca procure saber por quem os sinos dobram. Pois eles dobram por ti.
Por Leonardo Sakamoto
Trago aqui uma discussão já travada com os leitores. Nós, jornalistas, muitas vezes não nos reconhecemos como classe trabalhadora. Devido às peculiaridades da profissão, desenvolvemos laços com o poder e convivemos em seus espaços sociais e culturais, seduzidos por ele ou enganados por nós mesmos. Só percebemos que essa situação não é real e que também somos operários, transformando fato em notícia, quando nossos serviços não são mais necessários em determinado lugar.
Ou, às vezes, nem isso. Já vi colegas se culparem por terem sido demitidos sem justa causa no melhor estilo “perdoa-me por me traíres” de Nelson Rodrigues. “Deveria ter virado mais madrugadas na redação”, “deveria ter me oferecido para trabalhar em todos os finais de semana”, “não deveria ter corrigido o português ruim do meu chefe”…
Fazer protestos por melhores condições, que incluem uma certa estabilidade para reportar sem temer o que se escreve? Imagina! É coisa de caixa de banco, de operário sujo de graxa ou de condutor de trem que atrasam nossa vida e geram congestionamentos na cidade. Ou de inglês, francês e italiano que têm a vida ganha e mamam no Estado. Enquanto isso, quem tem consciência de que é um trabalhador e reivindica coletivamente, como muitos bancários, metalúrgicos e metroviários, tem mais chances de obter o que acha justo.
Quando vejo algumas coberturas jornalísticas mal feitas de protestos e greves fico pensando como pessoas que não conseguem se reconhecer como classe trabalhadora podem entender as reivindicações de trabalhadores. O fato é que não somos observadores externos e nem podemos ser. Somos parte desse tecido social, desempenhamos uma função, somos parte da engrenagem, gostemos ou não.
Muitos não se perguntam de onde vem o dissídio. Como uma criança que acha que o leite vem do mercado, pensamos que o reajuste vem do nada, sem ter sido fruto de muito diálogo entre capital e trabalho. Não é irônico que os profissionais que informam sobre e analisam a democracia diariamente não exerçam sua “cidadania profissional”?
A vida de jornalista, deixando de lado o falso glamour, não é fácil. Ainda mais para aqueles que são patrões de si mesmo, não por decisão própria (para empreender algo, por exemplo), mas porque foram empurrados para isso.
Sempre gostei do poema do dramaturgo alemão Bertolt Brecht que tratava da indiferença:
“Primeiro levaram os comunistas,/Mas eu não me importei/Porque não era nada comigo./Em seguida levaram alguns operários,/Mas a mim não me afetou/Porque eu não sou operário./Depois prenderam os sindicalistas,/Mas eu não me incomodei/Porque nunca fui sindicalista./Logo a seguir chegou a vez/De alguns padres,/ Mas como nunca fui religioso,/também não liguei./Agora levaram a mim/E quando percebi,/Já era tarde.”
Andaram pela mesma linha Maiakovski e Niemöller, escrevendo sobre o não fazer nada diante da injustiça para com o outro, até que, enfim, o observador passivo se torna a vítima. Hoje, não é comigo, então que se danem os outros. E quando chegar o amanhã e vierem bater à sua porta?
Ou, lembrando John Donne, poeta inglês, citado em “Por Quem os Sinos Dobram”, de Ernest Hemingway, ao defender que a morte de qualquer homem me diminui, pois sou parte da humanidade: nunca procure saber por quem os sinos dobram. Pois eles dobram por ti.
Por Leonardo Sakamoto
Spicy Carmem Entrevista 3
Mais um vídeo da Festa Carmem, que ainda não tinha sido publicado aqui. Mais um vídeo da Festa Carmem, que ainda não tinha sido publicado aqui.
Só tenho que agradecer todos os organizadores desse evento, considerado uma das maiores festa a fantasia do Estado de São Paulo. Obrigado Fred Tonelli (Alianza Eventos) e todos que acreditaram no meu trabalho.
Obs: a festa aconteceu no dia 11 de agosto de 2012.
domingo, 2 de dezembro de 2012
O TCC sobre o Bolsa Família: uma aula de jornalismo
Autor: Luis Nassif
Na sexta participei de uma banca de TCC(Trabalho de Conclusão de Curso) da Faculdade Metodista de Jornalismo. Trabalho excepcional da moçada sobre o Bolsa Família, tanto no vídeo de 25 minutos quanto no trabalho escrito, abordando vários aspectos do programa e da discussão política sobre ele.
A equipe responsável foi composta dos alunos Bruno Martins, Carlos Simalha, Cintia Alves, Deborah Scarone, Estele Kim, Gessica Cruz e Rafael Rodrigues, sob orientação do professor Valdir Aparecido Boffetti e Verônica Aravena Cortes.
O mais relevante, no entanto, é o documentário focado em senhoras beneficiárias do Bolsa Família, mostrando seu dia-a-dia, os problemas que enfrentam para atender às condicionantes do programa. Mais que isso, mostrando de maneira crua o que é a vida de um miserável.
Mostra a senhora, mãe de sete filhos, que acolhe a vizinha, mãe de quatro, em um quartinho, em uma comovente demonstração de solidariedade. Mostra geladeiras vazias, a vergonha da pobreza, a esperança com o futuro, os problemas para cumprir as condicionalidades do programa, o filho que não mais frequenta a escola por vergonha de suas roupas, a economia para comprar uma camiseta para a filha pequena.
A revolução na gestão das empresas brasileiras teve início quando o foco de toda a ação passou a ser o consumidor. As empresas se debruçaram para conhecer sua clientela, para analisar de que maneira seus serviços eram recebidos e percebidos e, a partir daí, focar seus planos de melhoria.
O mesmo deve ocorrer em qualquer política pública: a análise do que acontece na ponta. E é isso o que o vídeo mostra de maneira exemplar.
A exposição do mundo real é temperada com entrevistas com especialistas, de André Singer a Floriano Pesaro - o vereador tucano que teve a melhor professora do país sobre políticas sociais, dona Ruth, e parece não ter aprendido muito com ela.
Confira alguns dos mitos desmontados pelo vídeo.
A cobrança de contrapartidas
Floriano aparece dizendo que a crítica dele é quanto à falta de acompanhamento das condicionantes do programa. Na sequencia, a entrevista de duas senhoras contando que perderam parte do BF pelo fato dos filhos terem abandonado a escola.
Quais os motivos? Em um caso, vergonha do filho de ser pobre, de ir mal vestido e ser alvo da zombaria dos colegas. Em outro, falta de roupa de frio, impedindo sua saída de casa em dias de muito frio. Há o caso de uma mãe que paga 70 reais por mês para a condução que leva a filha à escola.
Em outro contraponto muito bem feito, Floriano diz que o objetivo do programa não pode ser o de meramente transferir dinheiro indefinidamente para as famílias, mas de fortalecer a livre iniciativa, a economia, o mercado. Em seguida, a mãe de família miserável, de sete filhos, dizendo que o objetivo de governo deve ser "olhar para nós".
Faltou no projeto uma análise melhor sobre a miséria absoluta, a fome absoluta, a partir dos próprios estudos de Josué de Castro. A partir dessas análises se poderá avaliar melhor o enorme significado de tirar alguém dessa situação.
O foco do BF e a falácia do mundo ideal
Assim como Pesaro, o trabalho (escrito) apresentou as críticas inconsistentes ao programa, por parte de frei Betto e do ex-Ministro Cristovam Buarque, grandes praticantes da chamada falácia do mundo ideal.
Como funciona? Apresenta-se um objetivo extraordinário, ambiciosíssimo, com chance zero de sair do papel, para se contrapor a um trabalho que, mesmo com resultados excepcionais, jamais conseguirá chegar perto desse mundo de fantasias. O objetivo é mostrar ao mundo como o autor da fantasia é muito mais solidário com a pobreza, e muito mais ambiciosos nos seus objetivos do que esses reles mortais sem virtude e sem ambição.
O trabalho levanta entrevistas de Betto dizendo que o Fome Zero tiraria todo mundo da miséria e colocaria no mercado produtivo em dois anos. Para tanto, articularia programas de horta comunitária, reforma agrária (seria interessante saber como seria a reforma agrária na periferia das grandes cidades, foco maior da miséria), alfabetização, recursos hídricos, cooperativismo, capacitação profissional.... O Fome Zero não conseguiu organizar sequer a distribuição de alimentos e roupas que chegaram até ele no grande mutirão social que a eleição de Lula deflagrou.
O modelo engendrado por Patrus Ananias é eficiente justamente devido à sua simnplicidade e abrangência. O objetivo do Bolsa Família é cadastrar todos os miseráveis e garantir um recurso mínimo para tirá-los da fome absoluta, condicionados a dois pontos: filho grande na escola, recém-nascido no posto de saúde. Nunca se pretendeu salvar a atual geração de miseráveis, porque impossível. Nem colocá-los no mercado de trabalho da noite para o dia, porque inexequível. O objetivo é simplesmente o de lhes fornecer uma migalha de cidadania, para tirá-los dessa doença social, da miséria absoluta. E, em cima dessa base, posteriormente, articular outras políticas sociais.
A porta de saída
Outro mito que se desmonta - a partir dos depoimentos colhidos - é a tal da porta de saída. Conta-se uma caso de senhora bem sucedida, que foi acolhida pelo Bolsa Família, depois tornou-se empreendedora de uma cooperativa de costureiras em Osasco.
Mas só conseguiu isso porque na ponta, em Osasco, houve um trabalho social relevante, ajudando a organizar as senhoras para a tal porta de saída. Ou seja, a porta de saída depende fundamentalmente das ações das prefeituras na ponta.
A partir daí, há espaço para uma crítica consistente ao Bolsa Família. De que maneira estão amarrando, com as prefeituras, programas de inclusão social, de inclusão no mercado de trabalho? De que maneira outros programas sociais do governo, de transferência de recursos para prefeituras, podem ser articulados com o BF, à medida em que o principal já se tem: o cadastro e acompanhamento das famílias assistidas?
sexta-feira, 30 de novembro de 2012
Mauro Beting escreve carta de despedida para o pai Joelmir
Na madrugada desta última quinta-feira, dia 29, o jornalista
Joelmir Beting morreu. Ele, ‘pra mim’, foi a inteligência do jornalismo econômico.
Revolucionou essa área tão complicada de trabalhar. Acredito que nós,
estudantes de jornalismo, perdemos um dos maiores nome dessa profissão.
Eu queria deixar os meus sentimentos para todos os familiares.
O jornalista Mauro Beting, filho de Joelmir, colocou uma carta
de despedida ao pai no seu blog. É muito emocionante, leia abaixo:
..::..
De Mauro Beting sobre o pai dele: Joelmir
Nunca falei com meu pai a respeito depois que
o Palmeiras foi rebaixado. Sei que ele soube. Ou imaginou. Só sei que no
primeiro domingo depois da queda para a Segunda pela segunda vez, seu Joelmir
teve um derrame antes de ver a primeira partida depois do rebaixamento. Ele
passou pela tomografia logo pela manhã. Em minutos o médico (corintianíssimo)
disse que outro gigante não conseguiria se reerguer mais.
No dia do retorno à segundona dos infernos meu
pai começou a ir para o céu. As chances de recuperação de uma doença autoimune
já não eram boas. Ficaram quase impossíveis com o que sangrou o cérebro
privilegiado. Irrigado e arejado como poucos dos muitos que o conhecem e o
reconhecem. Amado e querido pelos não poucos que tiveram o privilégio de
conhecê-lo.
Meu pai.
O melhor pai que um jornalista pode ser. O
melhor jornalista que um filho pode ter como pai. Preciso dizer algo mais
para o melhor Babbo do mundo que virou o melhor Nonno do Universo? Preciso.
Mas não sei. Normalmente ele sabia tudo. Quando não sabia, inventava com a
mesma categoria com que falava sobre o que sabia.
Todo pai é assim para o filho. Mas um filho de
jornalista que também é jornalista fica ainda mais órfão. Nunca vi meu pai
como um super-herói. Apenas como um humano super. Só que jamais imaginei que
ele pudesse ficar doente e fraco de carne. Nunca admiti que nós pudéssemos
perder quem só nos fez ganhar. Por isso sempre acreditei no meu pai e no
time dele. O nosso.
Ele me ensinou tantas coisas que eu não sei.
Uma que ficou é que nem todas as palavras precisam ser ditas. Devem ser apenas
pensadas. Quem fala o que pensa não pensa no que fala. Quem sente o que fala
nem precisa dizer. Mas hoje eu preciso agradecer pelos meus 46 anos. Pelos
49 de amor da minha mãe. Pelos 75 dele. Mais que tudo, pelo carinho das
pessoas que o conhecem, logo gostam dele. Especialmente pelas pessoas que não o
conhecem, e algumas choraram como se fosse um velho amigo.
Uma coisa aprendi com você, Babbo. Antes de
ser um grande jornalista é preciso ser uma grande pessoa. Com ele aprendi
que não tenho de trabalhar para ser um grande profissional. Preciso tentar ser
uma grande pessoa. Como você fez as duas coisas.
Desculpem, mas não vou chorar. Choro por tudo.
Por isso choro sempre pela família, Palmeiras, amores, dores, cores, canções.
Mas não vou chorar por algo mais que tudo que existe no meu mundo que são meus
pais. Meus pais, que também deveriam se chamar minhas mães, sempre foram
presentes. Um regalo divino.
Meu pai nunca me faltou mesmo ausente de tanto
que trabalhou. Ele nunca me falta por que teve a mulher maravilhosa que é dona
Lucila. Segundo seu Joelmir, a segunda maior coisa da vida dele. Que a primeira
sempre foi o amor que ele sentiu por ela desde 1960. Quando se conheceram na
rádio 9 de julho. Onde fizeram família. Meu irmão e eu. Filhos do rádio. Filhos
de um jornalista econômico pioneiro e respeitado, de um âncora de TV
reconhecido e inovador, de um mestre de comunicação brilhante e trabalhador.
Meu pai.
Eu sempre soube que jamais seria no ofício
algo nem perto do que ele foi. Por que raros foram tão bons na área dele.
Raríssimos foram tão bons pais como ele. Rarésimos foram tão bons maridos.
Rarissíssimos foram tão boas pessoas. E não existe outra palavra inventada para
falar quão raro e caro palmeirense ele foi. Mas sempre é bom lembrar que
palmeirenses não se comparam. Não são mais. Não são menos. São Palmeiras.
Basta.
Como ele um dia disse no anúncio da nova
arena, em 2007, como esteve escrito no vestiário do Palmeiras no Palestra, de
2008 até a reforma: “explicar a emoção de ser palmeirense a um palmeirense é
totalmente desnecessário. E a quem não é palmeirense… é simplesmente
impossível!.
A ausência dele não tem nome. Mas a presença
dele ilumina de um modo que eu jamais vou saber descrever. Como jamais saberei
escrever o que ele é. Como todo pai de toda pessoa. Mais ainda quando é um pai
que sabia em 40 segundos descrever o que era o Brasil. E quase sempre
conseguia. Não vou ficar mais 40 frases tentando descrever o que pude sentir
por 46 anos.
Explicar quem é Joelmir Beting é
desnecessário. Explicar o que é meu pai não estar mais neste mundo é
impossível.
Nonno, obrigado por amar a Nonna. Nonna,
obrigado por amar o Nonno. Os filhos desse amor jamais serão órfãos.
Como oficialmente eu soube agora, 1h15 desta
quinta-feira, 29 de novembro. 32 anos e uma semana depois da morte de meu
Nonno, pai da minha guerreira Lucila. Joelmir José Beting foi encontrar o Pai
da Bola Waldemar Fiume nesta quinta-feira, 0h55.
quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Blog do Franklin Catan é citado em trabalho de Faculdade
O meu estilo de trabalhar e o meu blog foram citados no blog do Lucas Pelai - http://lucaspelai.blogspot.com.br/ - , estudante de Jornalismo, na Unilago, de Rio Preto.
Ele faz uma reflexão sobre o jornal Pasquim, que circulou durante 22 anos (1969 - 1991), e trazia notícias de uma forma engraçada e irônica. O jornal teve o seu grande ápice na Ditadura Militar. Veja a citação:
Características do “O Pasquim, leia e perceberá se temos
jornais como este:
Um tabloide com muito tempo de circulação, 22 anos (1969 –
1991), isso era O Pasquim. Criado pelo colunista Jaguar e os jornalistas
Tarso de Castro e Sérgio Cabral. De acordo com o dicionário, Pasquim significa
jornal difamador, folheto injurioso.
Realmente era um jornal bem diferente, cuja característica
dele continha humor, ironia, irreverência e critica. Para concretizar tais
informações, percebemos logo pelo símbolo do O Pasquim. Era um rato, com
nome de Sig (Sigmund Freud), criado por Jaguar.
Além disso, continha também cartuns, charges, piadas, textos
polêmicos e humorísticos. Uma das entrevistas mais polêmicas foi com a atriz
Leila Diniz, em 1969. Era uma mulher a frente do seu tempo que gostava de
quebrar convenções e limites, especialmente quanto ao sexo. O
Pasquim, nessa matéria falou sem nenhum respeito o que a atriz disse:
“Trepo de manhã, de tarde e de noite".
"Você pode muito bem amar uma pessoa e ir para cama com outra. Já
aconteceu comigo".
Além disso, Leila falou tantos palavrões que foram
substituídos por asteriscos (*).
Em novembro de 1970, a redação toda do O
Pasquim foi presa depois que o jornal publicou uma sátira ao célebre
quadro de Dom Pedro I proclamando a Independência do Brasil às margens do
Ipiranga, de autoria de Pedro Américo. Os militares esperavam que com o
semanário fora de circulação, os leitores perderiam o interesse. Contudo,
durante todo o período em que a equipe esteve na cadeia (até fevereiro de 1971)
O Pasquim continuou circulando com edição de Millôr Fernandes
(que escapou da prisão), com ajudas de Chico Buarque, Antônio Callado, Rubem
Fonseca, Odete Lara, Gláuber Rocha dentre outros cariocas bem situados.
As prisões continuaram durante o tempo da circulação, locais
onde eram vendidos eram jogadas bombas. Isso mostra que o Pasquim
realmente incomodava os governantes, não é a toa que é um dos jornais
mais vendido da história com mais de 250 mil exemplares.
Trazendo para os dias de hoje, o que percebemos, há jornais
com as mesmas características do Pasquim? Há uma grande circulação como ele
teve? O que eu penso e percebo alguns jornais de hoje, arriscam a ser irônicos.
O Bom dia, Diário da Região ás vezes fazem algumas matérias
com o “ar” de ironia tirando sarro com alguma situação. Mas, não
podemos dizer que temos um “O Pasquim” nos dias de hoje.
Agora, se olharmos para outro veículo de comunicação, a
internet, percebemos que há uma grande semelhança com o tabloide. Um exemplo é
o blog do Franklin Catan, jornalista recém-formado, mas, com uma característica de
poucos. O blog do Catan contém entrevista com perguntas em forma de piada, que
deixa alguns entrevistados sem graça. Crônicas, áudio do programa dá
radio onde ele trabalha (programa que contém várias piadas criadas por ele),
matérias com assuntos bem descontraídos como quantas pessoas alguém beijou na
noite, o famoso Zé buracão (personagem criado para denunciar os buracos da
cidade). Matérias também, lançadas em jornais impresso.
Para finalizar, deixo aqui a seguinte palavra, ainda bem que
temos pessoas como Franklin para fazer matérias, entrevista com assuntos sérios
com uma pitada de humor, ironia. Pois, assim, relembramos um pouco
como era a época do O Pasquim.
segunda-feira, 26 de novembro de 2012
A torcida e a imprensa pede Pep Guardiola na Seleção
Eu assino em baixo essa carta do Walter de Mattos Junior, editor e fundador do LANCE! - Ele é um dos maiores conhecedores do futebol e sabe muito bem o que fala. Eu, como torcedor do Brasil, também apoio a vinda de Pep Guardiola para comandar a seleção.
Uma pelo seu desejo e afirmação de que será campeão caso venha ser treinador do Brasil. Duas, temos técnicos com campeões, no entanto, não com o futebol arte que o espanhol conseguiu colocar no Barcelona.
Está na hora do Brasil, um País que fala em inovar, mudar a cabeça e aceitar as opiniões dos torcedores
O Brasil quer Pep, Sr. Marin. Veja a carta:
Por Walter de Mattos Junior - Editor e fundador do LANCE!
Caro presidente Marin,
nos últimos anos, muitas têm sido as divergências deste LANCE! com
o comando do nosso futebol. É hora de deixar essas rusgas de lado.
Escrevo, não só como editor do Grupo L!, mas principalmente como
torcedor. Há momentos em que oportunidades não podem ser
desperdiçadas.
Quando a vontade da
opinião pública coincide com a razão, seja no esporte, seja na
política ou em qualquer outra área, não deve restar dúvida do
caminho a seguir. Esta é a situação que vivemos agora.
Em quase todas as
enquetes realizadas pela mídia no Brasil, o nome de Pep Guardiola
aparece em absoluta liderança. Isso mostra, sobretudo, que o
torcedor brasileiro clama por mudanças. Não de nomes, mas de
métodos, de filosofia. Mudanças que sejam capazes de resgatar a
essência do futebol brasileiro, sua arte, seu talento, seu orgulho,
sua capacidade de despertar paixões.
Esse é o desejo das
massas.
Entendo a preocupação
que o senhor possa ter, presidente, de entregar o comando da Seleção,
uma instituição nacional, a um treinador estrangeiro. Mas o senhor
tem o respaldo do torcedor para isso. E mais, não será o primeiro.
O Brasil aprovou a vinda de Rubén Magnano no basquete. E ele é um
argentino. Sim, um argentino que resgatou a autoestima de um esporte
em que já fomos líderes e há muito amargávamos fracassos.
Situação análoga a que vive o nosso futebol, que em outubro chegou
a pior posição do ranking Fifa de sua história.
Não tenho dúvidas de
que temos aqui treinadores de respeito. Gente preparada, com
histórico de títulos. É compreensível a preferência e até os
laços que possam unir membros de sua diretoria a alguns desses
nomes. Mas o regime é presidencialista e o senhor é que será
cobrado se o Brasil fracassar numa Copa dentro de casa. Sua
experiência de político tarimbado certamente lhe dirá que ouvir a
voz das ruas, a imprensa e a palavra de quem ama o futebol brasileiro
deve ser fundamental nesse processo.
O que, então,
presidente, pode pesar contra a vinda de Guardiola?
Ele não conhece os
jogadores brasileiros, dizem alguns. E nem o futebol brasileiro, que
teria pouco tempo para entender. Mas, como assim, se a maior parte
dos que serão convocados jogam na Europa? Pep conhece esses nomes
mais do que qualquer treinador que atue aqui. Ele jogava contra eles,
dirigia alguns no Barcelona. Além do mais, em quatro dos cinco
títulos mundiais ganhos pelo Brasil, os treinadores assumiram a
Seleção a menos de dois anos da Copa.
Um técnico como ele
custará muito caro, argumentarão outros. Essa, com certeza, não
será uma preocupação de Pep. Quando deixou o Barça, foi-lhe
oferecido pedir o que quisesse para ficar. Propostas de outros
grandes clubes, de seleções poderosas, também não lhe faltam. Mas
o que vale é que ele, como disse fonte de sua maior confiança,
ouvida por este LANCE!, quer treinar o Brasil (clique aqui para ler a
revelação de Guardiola). Sonha ser o técnico da Seleção e
promete nos dar o hexa. Além do mais, cá para nós, dinheiro não é
problema para uma instituição que tanto arrecada como a CBF.
Caro presidente Marin.
O tempo é curto para a Copa. A decisão precisa ser tomada
rapidamente. Mas cabe ao senhor ter um olho em 2014 e outro no futuro
do nosso futebol. Na revolução que ele precisa, num trabalho que a
partir da Seleção principal seja capaz de refletir-se nas
categorias de base, no jeito de jogar dos clubes, na maneira de
formarmos e lapidarmos nossos talentos.
Desde que assumiu o
cargo nota-se o esforço que tem feito para, de alguma forma,
imprimir sua marca na gestão do nosso futebol. Agora, o senhor tem a
oportunidade de contrariar os céticos que nas últimas 48 horas não
se cansam de afirmar que nenhuma mudança pode vir dessa CBF dirigida
pelo senhor. Fazer de Pep Guardiola o treinador da Seleção pode ser
o seu legado definitivo à transformação de que nosso fut precisa.
E, pode ter certeza, a opinião pública estará a seu lado.
domingo, 25 de novembro de 2012
Água com gás
por Matthew Shirts, publicado na Veja São Paulo (23/11/2012)
Na primeira vez que meu saudoso pai, Garry, veio a São Paulo, tive de deixá-lo com os familiares para acompanhar o parto do meu filho, Lucas, no pequeno e simpático Hospital Adventista, no bairro da Liberdade. O Lucas demorou a chegar. Fiquei lá no hospital uns dois dias. A comida era deliciosa, mas à base de pão integral, melancia e suco de uva. De vez em quando eu era obrigado pelo nervosismo a descer ao boteco da esquina e devorar um x-salada. Entendera já a essa altura que x = cheese = queijo, uma das equações básicas para quem, de fora, quiser entender a cultura brasileira, tal como E = mc2 está para a física, por exemplo.
Enquanto isso, meu pai, que nada falava de português, aprontava. Nós o mandamos, com minha mãe, meu irmãozinho, Mitch, e meu avô Wesley, que só saía em São Paulo de botas de caubói de cano altíssimo, com detalhamento de cenas do Velho Oeste, a um restaurante refinado. Eles estavam de férias, afinal. Queria eu que tivessem uma boa impressão da nossa cidade. Já haviam se divertido para valer no Rio de Janeiro. Por eles ficariam por lá, andando de táxi. Aventura maior não havia, concordavam todos.
Corria o ano de 1984. Como pouca gente falava inglês em São Paulo na época, eles enfrentaram dificuldades para decifrar o cardápio no restaurante bacanudo. Na versão deles, monoglotas americanos, o garçom era antipático e metido. Não se dispôs a ajudar. Minha mãe entendia um pouco de espanhol, no entanto, e chegaram à conclusão de que havia três pratos na carta: uma carne, uma pasta e um frango. Cada um apontou no cardápio com o dedo o prato escolhido até chegar a vez de meu pai. Para fazer o pedido, ele pulou da cadeira e começou a dançar pelo salão batendo os braços, como se fossem asas, em imitação a uma galinha. Queria se comunicar.
Dias depois, levei meu pai à feira de sábado da Vila Madalena, na Rua Mourato Coelho. Meu pai gostava de gente. A feira estava vibrante, com a chegada das festas de fim de ano. As frutas, exuberantes. Lembraram meu pai os seus tempos de missionário mórmon no Havaí durante a década de 50. Eu não sabia disso, até então, mas ele amava manga. Só a comera no ano em que viveu no Havaí. A globalização das frutas ainda não tinha acontecido em 1984. Não existia manga decente na Califórnia, onde ele morava. Hoje tem.
Carregamos sacolas de mangas para casa, com destaque para as corações-de-boi, enormes. Deixei as compras e os americanos em casa e fui cuidar de alguma tarefa na rua. Sei que demorei, e quando voltei meu pai estava passando mal. A cara dele me preocupou. Só o vira daquele jeito na nossa última viagem familiar de carro, ao México, em 1977. Estava verde, do tom da camisa do Palmeiras. Perguntei à minha mãe o que acontecera. “Seu pai deve ter chupado umas dez mangas, nem sei quantas. Não para de ir ao banheiro”, disse ela, com o tom de “ninguém me ouve nesta casa”. Conclusão dos familiares brasileiros: manga solta.
Garry veio mais uma vez a São Paulo, anos mais tarde, para participar do batismo do Lucas e da minha filha, Maria, na Igreja Nossa Senhora do Rosário de Fátima, na Avenida Doutor Arnaldo. Por uma ironia do destino, meu pai, ex-mórmon e agnóstico militante, só tivera, até aquele momento, netos católicos. Poucas semanas antes assistira ao batismo de Toby e Tatum (T. Shirts), filhos do meu irmão caçula, em uma igreja católica em San Diego, na Califórnia. O batismo dos meus filhos foi animado. Havia criança correndo e gritando por todo lado. Estava lotado de gente. A missa em San Diego fora solene. Estive presente. Perguntei ao meu pai qual era a principal diferença do batismo na Igreja Católica nos Estados Unidos e no Brasil. Ele pensou um pouco e saiu-se com esta: “É como a diferença entre água sem gás e água com gás. Uma delas é efervescente".
Obs: Adoro os textos do Matthew Shirts, por isso, resolvi publicar essa crônica.
sexta-feira, 16 de novembro de 2012
Reflexão do dia 17/11/2012
Reflexão
Cada um de nós recebeu uma gama de talentos, que precisam ser desenvolvidos ao longo da existência. Alguns têm o dom da fé, da palavra, da música, do canto, das artes ou da comunicação; por sua vez, outros possuem o dom da caridade, da profecia, da sabedoria, da inteligência, do discernimento dos espíritos ou de falar em línguas Se ainda não os descobriu, você precisa desenvolver seus dons, para serem colocados a serviço dos irmãos e da comunidade.
Meditação
Analise suas habilidades e seus dons.
Confirmação
"Todas essas coisas as realiza um e o mesmo Espírito, que distribui a cada um conforme quer" (1Cor 12,11).
Condenado sem domínio nem fato
Por Paulo Moreira Leite (Revista Época)
Num esforço para exagerar a dimensão do julgamento do Supremo, já tem gente feliz porque agora foram condenados “poderosos…”
Devagar. Você pode até estar feliz porque José Dirceu, José Genoíno e outros podem ir para a cadeia e cumprir longas penas.
Eu acho lamentável porque não vi provas suficientes.
Você pode achar que elas existiam e que tudo foi expressão da Justiça.
“Poderosos?” Vai até o Butantã ver a casa do Genoíno…
Poderosos sem aspas, no Brasil, não vão a julgamento, não sentam no Supremo e não explicam o que fazem. As maiores fortunas que atravessaram o mensalão ficaram de fora, né meus amigos. Até gente que estava em grandes corrupções ativas, com nome e sobrenome, cheque assinado, dinheiro grosso, contrato (corrupção às vezes deixa recibo) e nada.
Esses escaparam, como tinham escapado sempre, numa boa, outras vezes.
É da tradição. Quando por azar os poderosos estão no meio de um inquérito e não dá para tirá-los de lá, as provas são anuladas e todo mundo fica feliz.
É só lembrar quantas investigações foram anuladas, na maior facilidade, quando atingiam os poderosos de verdade… Ficam até em segredo de justiça, porque poderoso de verdade se protege até da maledicência… E se os poderosos insistem e tem poder mesmo, o investigador vira investigado…
Poderoso não é preso, coisa que já aconteceu com Genoíno e Dirceu.
Já viu poderoso ser torturado? Genoíno já foi.
Já viu poderoso ficar preso um ano inteiro sem julgamento sem julgamento?
Isso aconteceu com Dirceu em 1968.
Já viu poderoso viver anos na clandestinidade, sem ver pai nem mãe, perder amigos e nunca mais receber notícias deles, mortos covardemente, nem onde foram enterrados? Também aconteceu com os dois.
Já viu poderoso entregar passaporte?
Já viu foto dele com retrato em cartaz de procurados, aqueles que a ditadura colocava nos aeroportos. Será que você lembrou disso depois que mandaram incluir o nome dos réus na lista de procurados?
Poderoso? Se Dirceu fosse sem aspas, o Jefferson não teria dito o que disse. Teria se calado, de uma forma ou de outra. Teriam acertado a vida dele e tudo se resolveria sem escândalo.
Não vamos exagerar na sociologia embelezadora.
Kenneth Maxwell, historiador respeitado do Brasil colonial, compara o julgamento do mensalão ao Tribunal que julgou a inconfidência mineira. Não, a questão não é perguntar sobre Tiradentes. Mas sobre Maria I, a louca e poderosa.
Tanto lá como cá, diz Maxwell, tivemos condenações sem provas objetivas. Primeiro, a Coroa mandou todo mundo a julgamento. Depois, com uma ordem secreta, determinou que todos tivessem a vida poupada – menos Tiradentes.
Poderoso é quem faz isso.
Escolhe quem vai para a forca.
“Poderoso” pode ir para a forca, quando entra em conflito com sem aspas.
Genoíno, Dirceu e os outros eram pessoas importantes – e até muito importantes – num governo que foi capaz de abrir uma pequena brecha num sistema de poder estabelecido no país há séculos.
O poder que eles representam é o do voto. Tem duração limitada, quatro anos, é frágil, mas é o único poder para quem não tem poder de verdade e depende de uma vontade, apenas uma: a decisão soberana do povo.
Por isso queriam um julgamento na véspera da eleição, empurrando tudo para a última semana, torcendo abertamente para influenciar o eleitor, fazendo piadas sobre o PT, comparando com PCC e Comando Vermelho…
Por isso fala-se em “compra de apoio”, “compra de consciências”, “compra de eleitor…” Como se fosse assim, ir a feira e barganhar laranja por banana.
Trocando votos por sapatos, dentadura…
Tudo bem imaginar que é assim mas é bom provar.
Me diga o nome de um deputado que vendeu o voto. Um nome.
Também diga quando ele vendeu e para que.
Diga quem “jamais” teria votado no projeto x (ou y, ou z) sem receber dinheiro e aí conte quando o parlamentar x, y ou z colocou o dinheiro no bolso.
Estamos falando, meus amigos, de direito penal, aquele que coloca a pessoa na cadeia. E aí é a acusação que tem toda obrigação de provar seu ponto.
Como explica Claudio José Pereira, professor doutor na PUC de São Paulo, em direito penal você não pode transferir a responsabilidade para o acusado e obrigá-lo a provar sua inocência. Isso porque ele é inocente até prova em contrário.
O Poder é capaz de malabarismos e disfarces, mas cabe aos homens de boa fé não confundir rosto com máscara, nem plutocratas com deserdados…
Poder é o que dá medo, pressiona, é absoluto.
Passa por cima de suas próprias teorias, como o domínio do fato, cujo uso é questionado até por um de seus criadores, o que já está ficando chato
Nem Dirceu nem Genoíno falam ou falaram pelo Estado brasileiro, o equivalente da Coroa portuguesa. Podem até nomear juízes, como se viu, mas não comandam as decisões da Justiça, sequer os votos daqueles que nomearam.
Imagine se, no julgamento de um poderoso, o ministério público aparecesse com uma teoria nova de direito, que ninguém conhece, pouca gente estudou de verdade – e resolvesse com ela pedir cadeia geral e irrestrita…
Imagine se depois o relator resolvesse dividir o julgamento de modo a provar cada parte e assim evitar o debate sobre o todo, que é a ideia de mensalão, a teoria do mensalão, a existência do mensalão, que desse jeito “só poderia existir”, “está na cara”, “é tão óbvio”, e assim todos são condenados, sem que o papel de muitos não seja demonstrado, nem de forma robusta nem de forma fraca…
Imagine um revisor sendo interrompido, humilhado, acusado e insinuado…
Isso não se faz com poderosos.
Também não vamos pensar que no mensalão PSDB-MG haverá uma volta do Cipó de Aroeira, como dizia aquela música de Geraldo Vandré.
Engano.
Não se trata de uma guerra de propaganda. Do Chico Anísio dizendo: “sou…mas quem não é?”
Bobagem pensar em justiça compensatória.
Não há José Dirceu, nem José Genoíno nem tantos outros que eles simbolizam no mensalão PSDB-MG. Se houvesse, não seria o caso. Porque seria torcer pela repetição do erro.
Essa dificuldade mostra como é grave o que se faz em Brasília.
Mas não custa observar, com todo respeito que todo cidadão merece: cadê os adversários da ditadura, os guerrilheiros, os corajosos, aqueles que têm história para a gente contar para filhos e netos? Aqueles que, mesmo sem serem anjos de presépio nem freiras de convento, agora serão sacrificados, vergonhosamente porque sim, a Maria I, invisível, onipresente, assim deseja.
Sem ilusões.
Não, meus amigos. O que está acontecendo em Brasília é um julgamento único, incomparável. Os mensalões são iguais.
Mas a política é diferente. É só perguntar o que acontecia com os brasileiros pobres nos outros governos. O que houve com o desemprego, com a distribuição de renda.
E é por isso que um deles vai ser julgado bem longe da vista de todos…
E o outro estará para sempre em nossos olhos, mesmo quando eles se fecharem.
terça-feira, 13 de novembro de 2012
Flash Mob no Terminal Rodoviário Tietê
A grande cidade de São Paulo, de todos os ritmos, de todos os estilos e etnias, surpreendeu mais uma vez. No dia 27 de abril de 2002, os paulistanos se reuniram para fazer um Flash Mob no Terminal Rodoviário Tietê.
Aproximadamente 50 participantes deram um show e encantaram a população. Assista:
domingo, 11 de novembro de 2012
Reflexão da semana
Reflexão
Na vida, tudo tem sua razão de ser. Como criaturas de Deus, todos possuem uma missão que lhes foi confiada. Portanto, esteja sempre atento aos seus apelos para cumprir sua trajetória da melhor maneira.
Meditação
Reflita comigo sobre esta realidade, que dará um novo sabor a seu existir.
Confirmação
"Eu, prisioneiro no Senhor, bos exorto a levardes uma vida digna da vocação que recebestes" (Ef 4,1).
sexta-feira, 9 de novembro de 2012
Reflexão do dia 10 de novembro
Reflexão
Não se preocupe em demasia com os resultados futuros. Plante sempre sementesde bondade e amor. Lance-as ao solo e deixe que cresçam e frutifiquem,aguardando o tempo oportuno para a colheita.
Meditação
Semeie sempre o amor, raiz de todos os bens.
Confirmação
"Quem não ama não chegou a conhecer Deus, pois Deus é amor" (1Jo 4,8).
Um dia a correria pode mudar
Tudo é diferente. Os
pássaros cantam, os bois andam pelo pasto. Ela, sempre ela, fica
sentada na sua varanda olhando o horizonte clarear e escurecer.
Imagina você, em pleno século 21, viver desconectado de tecnologias
e computador. Não tem perfil no Facebook e nunca teve aparelho
celular na vida! Parece irreal, não é? Pois toda regra tem exceção.
-Oi Franklin, como
vai meu amigo?
- Estou bem minha
amiga e você?
- Vou vivendo. Ainda
no jornalismo, mas só que na roça.
- Na roça? -
questiono.
- É, procurei ficar
na fazendo do meu pai, sem telefone e sem celular.
- O quê? - fico
pasmo.
Ontem encontrei com uma
amiga que formou comigo em jornalismo na Unilago e atualmente mora
na Fazendo do seu pai, em Aparecida do Taboado, Mato Grosso do Sul.
Chama Claúdia Araújo. Tem 38 anos, é jornalista e trabalha com o
computador da lan-house da cidade. Volta e meia entrega um texto
sobre Natureza e Astrologia – material para ela, no meio daquele
verde hippye, é o que não falta. Loira, de 1,74 metro, só tem
conta de e-mail.
De vez em quando ela
vem aparecer por São Paulo. Vem visitar a família e outros amigos.
Como de costume, ela vai embora assustada e amaldiçoando a nossa
terra: não entende a correria, a gritaria, o agito e a velocidade de
tudo.
- Eu não sei como
vocês conseguem viver assim! Fico muito estressada. Eu prefiro ficar
no meio do mato com uma pauta ali, outra aqui.
Ela tem pressa em
regressar à sua horta e capinar, que é o que ela mais gosta. E as
galinhas as esperam felizes ou acabam ficando tristes e a produção
dos ovos cai.
Ah, esqueci de contar.
Ela não tem luz elétrica em casa. Não por opção, mas porque não
instalaram mesmo. Logo, ela acompanha a luz do sol e faz as coisas à
mercê dele. Quando o dia começa, ela começa também. Geralmente,
levanta às 5h30, todos os dias. Toma o seu café reforçado na
varanda da casa simples onde mora, observa os bichos e vai para o
campo.
Ela me contou que em
todo amanhecer os tucanos vêm fuçar os ovos dos outros pássaros e
todos fazem um barulho danado. Que tem uns três tipos de macacos
diferentes que estão sempre por lá – Também conta que fica
espertas devido ao número de cobras e ainda não chega perto de
alguns cavalos selvagens, que já começara a ficar mais íntimos.
Cláudia ainda fala que
os gaviões comem as cobras das quais têm medo. “Eles saem voando
com elas no bico, e elas lutam para sobreviver.”
A Claudinha, como era
chamada, observa por vários dias os movimentos do urubus. Inclusive,
ela que me contou que eles chegam muito alto, pra cima das nuvens
para fazer a digestão. “Esses dias fiquei olhando os urubus para
ver se eles achavam a Belinha, minha cachorra de estimação que
despareceu e, provavelmente, foi morta por uma cobra no meio do
mato.”
Disse pra mim também
que o galinheiro do vizinho foi todo destruído, e que provavelmente
foi obra da onça. “Os lobos do mato, eu só vi uma vez, mas foi
legal.”
Agora, não pude deixar
de ficar lisonjeado quando ela me contou sobre as cachoeiras, do café
que ela toma na casa de uma comadre toda tarde a partir das 16 horas.
“Faço comida no forno à lenha”, diz sorrindo.
Logo vem o pensamento:
“Forno a lenha?”. Hoje, eu só consigo viver de comidas enlatadas
ou congeladas, e não pode faltar o microondas.
Em um determinado
momento do papo, achei tudo aquilo muito surreal. De repente, acordo
querendo continuar a conversa com Cláudia, essa amiga fictícia que
me fez acreditar que posso ser jornalista, longe dessa correria do
dia a dia. Bom, agora, deixa eu aprender mexer no Skype. Afinal,
tenho que viver minha própria realidade.
sexta-feira, 26 de outubro de 2012
Força Washington Arruda! Estou contigo!
Foram muitos boatos sobre a chegada do goleiro Fábio Costa,
ao CAP – Clube Atlético Penapolense, que acaba de subir para a 1ª Divisão do
Campeonato Paulista. Confesso que essas notícias me deixavam triste. Calma, vou
explicar os motivos.
O Fábio Costa é um bom goleiro e tem uma experiência
incrível. Fez um excelente trabalho no Santos, até mesmo no “meu” Corinthians.
Porém, está parado há dois anos, desde que deixou o Atlético Mineiro. Sua
última partida foi em 23 de setembro, de 2010.
Segundo Bruno Paiva, empresário de Costa, o goleiro não
aceitou a proposta do CAP, pois quer jogar uma temporada inteira, e o contrato
oferecido pela equipe do interior é até o final do Paulista. Atualmente, o recebe
estimados R$ 150 mil mensais do Santos para não jogar. O clube, inclusive,
informou que ajudaria pagar o salário do atleta.
Você pode estar se perguntando onde eu quero chegar com esse
texto. É o seguinte, o Penapolense teve dois acessos seguidos e o goleiro da
equipe é o Washington Arruda, que trabalhou muito para conseguir ajudar a
equipe. Agora, os diretores mostram interesse em outro goleiro. Ai fica a
pergunta: cadê o respeito pelo ser humano? Pelo profissional que deu o sangue
para conseguir o acesso?
Arruda teve dois acessos, mostrou que tem potencial para
seguir como o camisa 1, do CAP. Conheço o Arruda desde os meus dez anos. Sempre
sonhou em ser jogador. Batalhou para isso, viveu uma boa parte de sua vida no
CT do Mirassol, onde foi revelado. Deixou sua família ainda jovem, para jogar
pelo Pão de Açúcar, hoje, Audax.
E agora que o CAP está na 1ª Divisão, os diretores mostram
interesse em outro jogador? Isso é totalmente falta de respeito com o ser
humano. Com o cara que lutou para ajudar a equipe. Cadê a valorização? Eu, na
minha humilde opinião, recomendaria Arruda a trocar de time assim que aparecer
uma boa proposta, pois os caras (diretores) não o querem na equipe.
Eu estou contigo Arruda e vou até o final. Sucesso meu amigo!